ETA do Reino Unido: o que é, quem precisa, quanto custa e como solicitar em 2026

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Viajar para o Reino Unido já não depende apenas de passaporte e roteiro bem montado. Hoje, muitos viajantes precisam obter o ETA (Electronic Travel Authorisation) antes do embarque — inclusive brasileiros em viagens curtas que não exigem visto tradicional. E aqui vai o ponto mais importante: quem ignora essa etapa pode ter problema ainda no aeroporto, antes mesmo de chegar à imigração britânica.

Para quem está organizando turismo, visita, intercâmbio com passeio de fim de semana para Londres ou até uma rota passando pela Irlanda antes de seguir para a Escócia ou Inglaterra, entender o ETA deixou de ser detalhe. Virou parte do planejamento.

O que é o ETA do Reino Unido?

O ETA é uma autorização eletrônica de viagem criada pelo Reino Unido para viajantes de determinadas nacionalidades que podem fazer visitas curtas sem visto. Ele não é um visto, mas funciona como uma permissão digital prévia para viajar ao Reino Unido, Jersey, Guernsey ou Isle of Man. Ainda assim, ter o ETA não garante entrada automática: a decisão final continua sendo do controle migratório na chegada.

Na prática, ele foi criado para reforçar o controle prévio de entrada e digitalizar o processo para visitantes elegíveis. Para quem viaja a turismo, visita a amigos ou familiares, negócios ou short-term study, essa é a rota mais comum quando não há exigência de visto.

Quem precisa do ETA?

Em geral, precisa de ETA quem:

  • pertence a uma nacionalidade incluída na lista oficial do sistema;
  • vai ao Reino Unido para uma finalidade permitida sob essa autorização;
  • não possui visto britânico nem outro status migratório que dispense o ETA.

Para brasileiros, esse tema merece atenção total. O Brasil está entre as nacionalidades sujeitas ao ETA para viagens elegíveis ao Reino Unido. Então, para a maioria dos brasileiros que pretende visitar Inglaterra, Escócia, País de Gales ou Irlanda do Norte por curta duração, o ETA passa a ser a autorização necessária antes da viagem.

Quanto custa o ETA?

Atualmente, o ETA custa £20 por solicitação. O pedido pode ser feito online ou pelo aplicativo oficial do governo britânico, e o valor não é reembolsável depois do envio.

Esse detalhe importa porque existem sites de terceiros cobrando mais caro para “intermediar” um processo que o próprio viajante pode fazer direto no canal oficial. O GOV.UK alerta exatamente sobre isso.

Qual é a validade do ETA?

O ETA vale por 2 anos ou até o vencimento do passaporte utilizado no pedido, o que acontecer primeiro. Durante esse período, ele permite múltiplas viagens ao Reino Unido, com estadias de até 6 meses por vez, desde que o motivo da viagem continue compatível com as regras da visita.

Aqui existe um detalhe que muita gente esquece: o ETA fica vinculado ao passaporte informado na solicitação. Trocou o passaporte, mudou o documento da viagem. Nesse caso, será necessário pedir um novo ETA.

O que o ETA permite?

Com um ETA válido, a pessoa pode viajar ao Reino Unido para turismo, visita a família ou amigos, negócios, estudo de curta duração e algumas atividades específicas previstas pelas regras migratórias britânicas. Em certos casos, ele também pode ser usado para trânsito, quando a rota envolver passagem pelo controle de fronteira do Reino Unido.

O que o ETA não permite?

O ETA não serve para morar no Reino Unido, trabalhar normalmente para empresa britânica, atuar como autônomo fora das exceções previstas, permanecer por mais de 6 meses, casar ou registrar união civil com esse status, nem substituir um visto quando a sua finalidade exige uma categoria migratória própria. Em resumo: ele facilita a viagem, mas não amplia direitos além do que a regra permite.

Quem não precisa do ETA?

Estão isentos, entre outros:

  • cidadãos britânicos e irlandeses;
  • pessoas com visto britânico válido;
  • quem já tem permissão para viver, estudar ou trabalhar no Reino Unido;
  • quem já tem permissão válida em Jersey, Guernsey ou Isle of Man, nos casos previstos;
  • pessoas em trânsito que não passam pelo controle de fronteira;
  • alguns titulares de status ou documentos específicos reconhecidos pelo governo britânico.

Também há uma isenção relevante para determinados viajantes que residem legalmente na Irlanda e entram no Reino Unido a partir de outro ponto da Common Travel Area. E é aqui que começa uma das maiores confusões práticas entre intercambistas.

O que é a Common Travel Area?

A Common Travel Area (CTA) é a área de circulação formada por Reino Unido, Irlanda, Jersey, Guernsey e Isle of Man. Dentro dessa área, existem regras especiais de deslocamento, especialmente para cidadãos britânicos e irlandeses, que podem circular e residir entre essas jurisdições com direitos próprios.

Mas aqui entra a parte que muita gente interpreta mal: a Common Travel Area não significa que qualquer estrangeiro pode circular livremente entre Irlanda e Reino Unido sem cumprir exigências migratórias. Para quem não é britânico ou irlandês, as regras continuam valendo — inclusive a exigência de ETA quando aplicável. A própria orientação oficial do Home Office deixa claro que a isenção ligada à Irlanda vale apenas para quem é lawfully resident in Ireland e viaja ao Reino Unido de dentro da CTA.

Outro ponto útil de entender: ao viajar dentro da Common Travel Area, a pessoa nem sempre passa pelo controle migratório britânico, e na fronteira terrestre entre Irlanda e Irlanda do Norte não há controle de imigração. Mesmo assim, isso não elimina automaticamente as exigências documentais que possam existir para o seu perfil.

Atenção: estar na Irlanda não é o mesmo que morar legalmente na Irlanda

Esse é o ponto que mais causa dúvida — e, honestamente, é onde muita gente se enrola sem necessidade.

O governo britânico prevê uma exceção ao ETA para pessoas que sejam lawfully resident in Ireland, isto é, que residam legalmente na Irlanda, e que estejam viajando ao Reino Unido vindas de outro ponto da Common Travel Area. A regra não foi feita para qualquer pessoa que entrou na Irlanda; ela foi feita para quem efetivamente tem residência legal ali.

A própria orientação oficial explica que, se alguém quiser usar essa isenção, pode ser solicitado comprovar essa residência com documentos como Irish Residence Permit, carteira de motorista irlandesa, medical card, GP visit card ou outros documentos oficiais aceitos. Sem essa comprovação, a tendência é que a exceção não se aplique.

Exemplo prático: turista na Irlanda por uma semana e depois viagem para Londres ou Edimburgo

Vamos ao caso clássico dos intercambistas e viajantes brasileiros.

Imagine uma pessoa que entra na Irlanda como turista, passa uma semana em Dublin e depois decide viajar para Londres, Manchester ou Edimburgo. Muita gente pensa que, por já estar “dentro da Common Travel Area”, o ETA deixa de ser necessário. Só que não funciona assim. Se essa pessoa está na Irlanda como visitante e não é residente legal no país, ela não entra na isenção. Portanto, se for nacionalidade sujeita ao ETA, como o Brasil, ela precisa do ETA para seguir viagem ao Reino Unido.

Essa é uma diferença pequena no papel e enorme na prática. “Estar na Irlanda” não basta. A regra fala em residência legal na Irlanda, e isso muda completamente o enquadramento.

E se eu morar legalmente na Irlanda?

Aí a análise muda. Quem é residente legal na Irlanda e viaja ao Reino Unido a partir de dentro da Common Travel Area pode estar dispensado do ETA nessa situação específica. Mas essa dispensa é limitada: a própria orientação oficial deixa claro que, se essa mesma pessoa viajar ao Reino Unido vindo de fora da CTA, o ETA poderá ser exigido.

Ou seja: não basta morar na Irlanda. Também importa de onde a viagem ao Reino Unido está saindo.

Como solicitar o ETA

O pedido deve ser feito no canal oficial do governo britânico, pelo GOV.UK ou pelo aplicativo UK ETA. Para aplicar, normalmente será necessário ter:

  • o passaporte com o qual vai viajar;
  • um endereço de e-mail;
  • cartão de crédito, débito, Apple Pay ou Google Pay;
  • foto do rosto da pessoa que está solicitando.

No aplicativo, o processo costuma incluir foto do passaporte, leitura do chip do documento e captura facial. Quando o app não funciona no aparelho, o governo permite a solicitação online.

Quanto tempo demora?

Segundo o GOV.UK, muitas decisões chegam rapidamente, e o Home Office informa que muitos pedidos pelo aplicativo recebem resposta automática em minutos. Mesmo assim, a recomendação oficial é considerar até 3 dias úteis e não deixar para solicitar em cima da hora.

Minha opinião aqui é bem simples: para quem está montando viagem internacional, conexão, bate-volta ou roteiro com mais de um país, pedir o ETA no último momento é um erro bobo. Dá para evitar.

Crianças e bebês precisam de ETA?

Sim. Cada passageiro precisa da sua própria autorização, inclusive bebês e crianças.

E no trânsito, precisa?

Depende do seu itinerário. Se você estiver em conexão e não passar pelo controle de fronteira do Reino Unido, pode não precisar de ETA. Mas, se a conexão envolver passagem pelo controle migratório, a exigência pode existir.

É exatamente por isso que conexões via Reino Unido precisam ser analisadas com atenção, principalmente quando o viajante compra passagens separadas ou não entende se vai permanecer em área internacional ou não.

O que acontece se eu viajar sem ETA quando ele é exigido?

O governo britânico já deixou claro que viajantes obrigados a ter ETA podem ser impedidos de viajar se não tiverem a autorização válida. Em outras palavras: o problema pode acontecer antes do embarque, com a companhia aérea ou transportadora.

Conclusão

O ETA do Reino Unido entrou de vez no planejamento de viagem de brasileiros. Ele é simples de solicitar, mas não pode ser tratado como detalhe. Entender custo, validade, isenções, trânsito e, principalmente, a diferença entre ser residente legal na Irlanda e estar apenas visitando a Irlanda faz toda a diferença para evitar confusão no embarque.

Se você está organizando intercâmbio, turismo ou um roteiro que passa por Irlanda e Reino Unido, vale checar tudo com calma antes de comprar a passagem interna. É exatamente nesse tipo de detalhe que muita gente tropeça — e é exatamente aí que um bom planejamento salva a viagem.

FAQ

Não. O ETA é uma autorização eletrônica de viagem para perfis elegíveis. Ele não substitui um visto quando a finalidade da viagem exige visto.

Na maioria dos casos, sim, quando a viagem é elegível ao ETA e não há outro status migratório válido.

Atualmente, £20.

Até 2 anos, ou até o vencimento do passaporte usado no pedido.

Sim. Estar na Irlanda como visitante não equivale a ser residente legal na Irlanda. Para essa rota, o ETA continua sendo exigido para nacionais sujeitos à regra.

Não para todo mundo. A CTA cria regras específicas de circulação, mas a isenção do ETA ligada à Irlanda vale para quem é residente legal na Irlanda e viaja ao Reino Unido de dentro da CTA.

Fontes oficiais consultadas

Todas as informações deste artigo foram conferidas em páginas oficiais do GOV.UK, UK Visas and Immigration e comunicações oficiais do Home Office.

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